| Pessoas |
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O
que estava a mostrar neste conjunto de quadros é um trabalho
que poderei dizer que se encontra em desenvolvimento, procurando o que
a pintura metafísica nos dá. Menos envolvente no plano emotivo, mas mais lúcida e distante. Valores estéticos e teóricos ligados a uma análise do real que transcende as aparências para revelar o espírito das coisas em atmosferas depuradas e intemporais, retêm o sentido da composição no seu estado mais mágico e enigmático. Pretendi também, por outro lado, debruçar -me sobre o tema “pessoa”, não o retrato, mas sim o ser humano na sua individualidade, com características intrínsicas, próprias dele. A minha curta passagem por Londres deu-me uma parte do que me faltava. Foi um tempo onde, até lá, nunca tinha sentido tanto e de uma forma tão intensa as “pessoas”. Tive a oportunidade de as observar, tão diferentes, desconhecidas, banais, superficiais, abstratas, distantes. Estando paradas, as pessoas pareciam estarem numa grande peça de teatro a ensaiar, todas elas se tornavam especiais, únicas, adaptando por vezes poses e fazendo movimentos próprios, parecendo até mesmo coreografias, deixando transparecer o seu eu interior, a ”aura”. Senti muito do que eu queria para o futuro do meu trabalho,c egar a pintura metafísica mas centralizado nas pessoas, e podia pela primeira vez tratar de uma forma fria, crua e distante, o meu trabalho, coisa que desejo hálg um tempo. |
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